Era o disco da capa branca, os escritos em preto e vermelho, a guitarra, som fino, ecoando pelo cubículo, luz nenhuma, só as pontas dos cigarros acesos. Sentaria se houvesse espaço entre o som e o sofá negro pela noite, time is like a broken watch, mão qualquer toca o cinzeiro branco de porcelana roubado num dia chuvoso em bar de esquina, PODERIA VIR AQUI PRA CIMA, sentiu alguém afastar as mechas sobre o olho, a voz dele é boa, parece cantor de ópera, a banda é boa, amanhã teria de acordar cedo, prova, trabalho, DEVERIA SABER, acende a luz, os contornos se abraçavam na palidez amena da lua cheia, deixa como está. Resolveu irromper, subir, por fim, TALVEZ, com o cigarro quase guimba entre os dentes, as pernas borboletinha tá na cozinha fazendo chocolate para a madrinha, os cabelos roçavam a nuca, AGORA.
Agora,
Ainda não.
Sim.
Não.
A língua se encaracolou pelo lóbulo direito, as mãos na altura da barriga. TE AMO. TE ADORO. ODEIO SEU CAFÉ. ADORO TEU JEITO DE SER SEM SER. CONTINUA SENDO.
Os dentes se chocaram, riram.
- Que foi?
- Nada, você não sabe.
Apagaram os cigarros no chão errando o cinzeiro. A madrugada arrombando o céu.
Todos os mistérios movem-se pelo sol
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