sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Mãe.

Já deram oito horas, já se fazem seis anos quatro meses e quinze ou dezesseis dias, a mesa está posta, salada de repolho cru e pedaços de tomate e cebola cortados em cubos, a carne picada com o caldinho boiando no fundo da vasilha transparente, o arroz, ela traz o feijão na panela, o cabo laranja a se revoltar pelo líquido. Busco a jarra de suco de caju e dois copos com desenhos laranjas e azúis, um mosaico estranho, sem sentido. A feitura dos pratos é quieta, ponho as pequenas porções de feijão e arroz, um pouco de salada e exagero na carne, ela come pouco, duas colheres pequenas de salada, um pouco de arroz e uns quatro ou cinco pequenos cubos de carne, serve meio copo de suco para ambos e alinha o guardanapo em v por baixo do prato. A refeição ocorre em silêncio de palavras, barulho apenas nos talheres e nas arcadas, meu garfo range a louça no fim, engulo o suco e faço menção de sair, a foto do homem gordo, camiseta cinza e shorts vermelhos, sorrindo para lado diagonal à câmera fita-nos à mesa; ela recolhe primeiro os copos, empilha posteriormente os pratos e sobre eles põe os garfos, facas, colheres e a concha, faz do guardanapo esfera e o joga dentro da vasilha com as carnes já devoradas. A quem menos espera o telefone pode tocar, um toque a cobrar ou trivial. Nos olhamos, ela vai à cozinha sustentando o monte de louça, eu recolho o azeite, a jarra de suco, o porta-guardanapos.

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