quinta-feira, 16 de agosto de 2007

ALGUM

Um José caminha ferido ao encontro, um repuxo nas carnes, sangue fervendo ao corpo - trepidação de paralelepípedos e iluminação parca. A poeira o absorve, do chão sem varredores, das frestas, do tempo; vento ausente, céu de estrelas que só o olhar alcança.

Os passos vacilantes tateando as escadas, álcool e horas a fio, um gosto amargo na boca, barba na necessidade de fazê-la. O giro da chave gira a porta, exerce voltas nas paredes, figuras estranhas no teto descascado. A porta se abre, de tanto forçar-lhe por fora entregou-se por dentro, sandálias, pernas, pijamas brancos, e uns olhos perdidos, negros feito o céu.

A xícara no apoio, café fresco esfumaçando o rosto, lábios rachados abocanham o último trago, dedos magros lançam a guimba a nem ser. Um José permanece sentado, pernas finas, planta do pé acolhendo o chão, cabelos tal ventania. Espera. Maria, Tereza, ou qualquer outro nome, de olhar negro como o céu da noite, ou azul como da manhã. Instável - corpo fixo no dia.

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