Quase que sem flores inicia-se a trama, estorinha simples de passar por pouca atenção dos ouvintes. Estava o velho estirado, calça negra sem vinco, os mesmos sapatos rotos - meias ausentes, blusa de mangas compridas cinza, amarfanhada no deitar, a gola encerrando o peito, faltava um botão à altura do umbigo, pouco acima ou pouco abaixo, mas sem se notar.
À medida que os presentes se tornavam tal o nome, a área, aberta por diversos buraquinhos censores de mosquitos, pernilongos e outros insetos voadores e de mesmo (ou próximo) tamanho, manifestava-se num calor em escalada, subindo dos pés - se ajustando dento dos calçados, empapuçando o vão dos dedos nos chinelos - passando aos dorsos - deixando linhas corrigíveis nas dobras de barrigas sentadas - às cabeças, reluzindo em testas, esvoaçando no enxarcar os cabelos.
Todos ali cumpriam o mesmo ritual ao chegar, independente de classe, cor,crédulo, todos, o farmacêutico aposentado, a vizinha, o dono da venda, o bêbado à hora sóbrio, entravam olhando os lados, as paredes no embolso, o armário de um pardo pálido, alcançavam a passos curtos o rosto do velho, acomodado num riso frouxo sem mostrar os dentes, e se serviam de um café ralo, até que o da venda trouxe roscas semi-doces, depositadas aos pacotas sobre o fogão tampado, devorados em seguida por dentes firmes, espalhando por toda a boca os micropedaços de farinha. Só um homem, esguio e pardo, barba pouco grande, caminhou reto ao velho, ao olhar atento e à boca cheia dos demais, e fitou por instante demorado. Seguia-o uma mulher negra, magra, arrastando pelas mãos garoto mínimo, shorts verdes e camisetinha branca.
Os presentes ainda seguiam aos olhos os novos, a mulher deixava a mão do menino, que em passos lépidos atravessou a sala e foi dar ao portão olhando o quintal, e pousava uma mão espaldada nas costas do homem a olhar. Era o filho, de pé. O pai, o velho, mal acomodado na caixa, como se dormindo, deitado.
"Seu Junin, condolência...", o bêbado não se apresentava em tal estado, mas os olhos amarelos, contrastantes com a pele negra, luzidia pelo calor, o entregavam. E foram mais e mais frases, elogios ao homem que foi, trabalhador, criador do próprio filho depois da viuvez, alegre, amigo, sem igual. A todos o homem sacudia a cabeça, agradecia, num "obrigado" entre dentes, semi-mudo, miado.
E como as horas passando os presentes permaneciam (só o farmacêutico saíra, mas voltava, era um minuto), o homem sentou-se, acomodando as costas na cadeira retilínea de madeira, bebeu de um gole o café, e sem tempo sentiu a barra da calça jeans a ser puxada. Era o filho, seu, com olhos esbugalhados a sacudir pipa vermelha na mão. Desceram, e apesar do pouco vento a pipa se levantou, sacolejando no sêco a sombra viva, refletindo-se no rio passante por detrás da casa, iludindo os olhos.
"Júnior", a voz da mulher percorreu trilha reta, informação, hora chegada. O homem se ditraiu, virou os olhos, e a pipa planou boiando na margem longe do rio. Ao alarido do menino o pai o levou ao colo, abriu o portão de bambus dando pras águas e chegou a sentir o traço frio do pisar à beira com tênis furados. A pipa logo sumiu, e o rio seguiu seu curso, levando folhas e o que mais.
À medida que os presentes se tornavam tal o nome, a área, aberta por diversos buraquinhos censores de mosquitos, pernilongos e outros insetos voadores e de mesmo (ou próximo) tamanho, manifestava-se num calor em escalada, subindo dos pés - se ajustando dento dos calçados, empapuçando o vão dos dedos nos chinelos - passando aos dorsos - deixando linhas corrigíveis nas dobras de barrigas sentadas - às cabeças, reluzindo em testas, esvoaçando no enxarcar os cabelos.
Todos ali cumpriam o mesmo ritual ao chegar, independente de classe, cor,crédulo, todos, o farmacêutico aposentado, a vizinha, o dono da venda, o bêbado à hora sóbrio, entravam olhando os lados, as paredes no embolso, o armário de um pardo pálido, alcançavam a passos curtos o rosto do velho, acomodado num riso frouxo sem mostrar os dentes, e se serviam de um café ralo, até que o da venda trouxe roscas semi-doces, depositadas aos pacotas sobre o fogão tampado, devorados em seguida por dentes firmes, espalhando por toda a boca os micropedaços de farinha. Só um homem, esguio e pardo, barba pouco grande, caminhou reto ao velho, ao olhar atento e à boca cheia dos demais, e fitou por instante demorado. Seguia-o uma mulher negra, magra, arrastando pelas mãos garoto mínimo, shorts verdes e camisetinha branca.
Os presentes ainda seguiam aos olhos os novos, a mulher deixava a mão do menino, que em passos lépidos atravessou a sala e foi dar ao portão olhando o quintal, e pousava uma mão espaldada nas costas do homem a olhar. Era o filho, de pé. O pai, o velho, mal acomodado na caixa, como se dormindo, deitado.
"Seu Junin, condolência...", o bêbado não se apresentava em tal estado, mas os olhos amarelos, contrastantes com a pele negra, luzidia pelo calor, o entregavam. E foram mais e mais frases, elogios ao homem que foi, trabalhador, criador do próprio filho depois da viuvez, alegre, amigo, sem igual. A todos o homem sacudia a cabeça, agradecia, num "obrigado" entre dentes, semi-mudo, miado.
E como as horas passando os presentes permaneciam (só o farmacêutico saíra, mas voltava, era um minuto), o homem sentou-se, acomodando as costas na cadeira retilínea de madeira, bebeu de um gole o café, e sem tempo sentiu a barra da calça jeans a ser puxada. Era o filho, seu, com olhos esbugalhados a sacudir pipa vermelha na mão. Desceram, e apesar do pouco vento a pipa se levantou, sacolejando no sêco a sombra viva, refletindo-se no rio passante por detrás da casa, iludindo os olhos.
"Júnior", a voz da mulher percorreu trilha reta, informação, hora chegada. O homem se ditraiu, virou os olhos, e a pipa planou boiando na margem longe do rio. Ao alarido do menino o pai o levou ao colo, abriu o portão de bambus dando pras águas e chegou a sentir o traço frio do pisar à beira com tênis furados. A pipa logo sumiu, e o rio seguiu seu curso, levando folhas e o que mais.