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Perdão meu pai!Perdoa-me por não conseguir o que tanto me pedistes!
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Quão bravo era o pai, todo o dia na labuta, prendendo as linhas de camisa, a ponta dos dedos, todo o senso na maquinaria; e ao almoço atravancado, ao prato frio, dedos gordurosos na refeição da mãe, aguentando os olhos dos infelizes homens que, ao ver o velhor persistente, lançavam infâmias de não de não amigos.
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Não és meu filho!Não és nem nunca serás!Lembraste bem do que me dissestes?Lembrastes?Como meu filho?Como?
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Ao sentar á mesa, o rosto lívido pelo cheiro de café fresco, pelo colorido dos pães à cesta, vi minha mãe sentada em lugar distante apesar de perto, olhos pacientes, gesto calmo.
Foi quando meu pai chegou, quando minhas mãos já trancafiavam o pão sadio, quando ouvi minha mãe por entre dentes, "espera..."
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-Amanhã filho vais à labuta com seus tios, acordarás cedo, aprenderás a roçar o solo, plantar e colher, já chega de olhar às ruas por todo o tempo, chega de ser inútil à sua mãe, à casa; és um inútil meu filho mas não deves sê-lo, nenhum homem deve ser inútil e tu não o serás.
-Não vou meu pai.
-Como não vai?
-Não me vejo bem no campo, não vejo o campo como meu lugar.Não vou meu pai.
-Vais.Vais.Não tens amor pela família?Não vês que falta o cobre nesta casa?Não vês que tu só faz faltar o cobre?
-Não falto à família meu pai.Meu amor é sincero e grandioso.Mas mantenho a chama acesa de meu próprio amor.Se não me vejo em um lugar não vou.
-Tua chama é muito mais que isso.É descomunal o fogo que move a ti.Não és digno de ser filho.
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Animal!És um animal!Nada mais que isso!
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Ao presenciar a mãe indo à reza, desloquei-me até seu quarto, principal. Procurar nos guardados a arma da casa era pôr fim a tudo, enfim sentir-me em meu chão.
E, lembrando de todas as manhãs, infinitas, apontei minha salvação á porta, escondido no escuro canto da sala.
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Enquanto as mãos do pai espancavam meus ossos, a cabeça, guia, remoía perdão e lástima.
Pobre pai, não sabia deveras que os grandes amores comprovam-se
até mesmo em pequenos
erros.
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